Segunda-feira, 26.12.11


És um constante pensamento no meu próprio pensamento. Como se não me lembrasse de mais nada. Onde nasci, onde moro, quem são os meus pais, onde cresci. Não me recordo se sofri algum acidente ou apenas é puro esquecimento. Por mais que tente ou lute, por mais que me esforce em esquecer-te acabo sempre falhando.
Tudo o que faço ou o que insistem em dizer-me é pouco relevante, porque negas em sair-me do pensamento.
Recordo-me daquele dia na praia, estava com a câmara na mão tentando tirar-te uma foto, captar o ângulo perfeito. Como se fosse impossível, sendo tu tão bonita como aquela paisagem que repousava por de trás de ti. 
Olhavas para o chão mas insistias em olhar-me como me provocando, afastando sempre os teus cabelos longos e ruivos do teu rosto.
Lembro-me, como se tivesse sido um sonho, tinha finalmente encontrado o momento perfeito, pressionei o botão e o flash disparou. Desviei o meu olhar da câmara para te observar, mas já não te encontravas lá.
Desde então insistes em não sair do meu pensamento, como se já dominasses o meu mundo.


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Sexta-feira, 02.12.11

É Dezembro. Provavelmente a época mais ansiada e esperada por todos. Demorou, mas finalmente podemos respirar de alívio porque chegou. É incrível como esta estação, a última do ano nos transforma e envolve. Não importa se és velho, novo ou se nem sabes em que faixa etária te encontras, parece que de uma forma inexplicável voltamos todos atrás no tempo e fossemos de novo crianças, só mais um vez.
Recordamos o quão iluminadas são as ruas, o cheiro dos doces de natal, a brincadeira à volta da mesa com a família, observamos a neve a cair lá fora de uma forma mágica, contando sempre as horas que faltam para o pai natal chegar.
Lembramo-nos de acordar cedo porque sabíamos que dia era aquele e o que nos esperava, recordamos também de adormecer junto à lareira tentando sempre manter os olhos abertos para vermos finalmente o místico pai natal a quem tanto mandávamos cartas.
Nesta época, onde a esperança e a felicidade reina, todas memórias são recordadas e os sonhos parecem de alguma forma ganhar vida.



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Terça-feira, 22.11.11

Eu não possuiu o dom da palavra, confesso. Não controlo o tempo, mas os momentos que possuímos fluem de uma forma espontânea, e disso já é suficiente para me sentir orgulhoso. São instantes o tempo que partilhamos, mas incrivelmente a importância que tens para mim.
As palavras que agora te dedico não são fáceis, esforço-me para que saiam naturalmente, admito. Estas mesmas palavras o vento um dia vai levar, a tinta da caneta com que escrevo, a chuva vai apagar. Ou até mesmo o papel vai ficar velho e gasto, como nós.
Por isso, é essencial que escutes com atenção, que as memorizes e principalmente que as sintas. Preciso que saibas o quanto te amei enquanto vives-te e o quanto me fizeste bem quando me abraçavas.
Tudo se transforma, pessoas que amamos um dia partiram, árvores secarão, a casa que conheces-te em criança cairá. As cartas que escrevíamos um ao outro desapareceram com os anos.
Não importa se fique velho ou para onde viaje, não importa o quanto errei na vida ou o quanto o mundo mude, vou sempre recordar o momento em que te disse cada palavra como se fosse Presente. E o sentimento com que as escrevi e te dediquei será ainda o mesmo como se nada tivesse trasnformado, nem mesmo o tempo. Enquanto o fim não se aproxima, deixa-me abraçar-te e dizer-te o quanto preciso de ti.

    



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Sexta-feira, 04.11.11

 

Eu vivo, não sinto. Uns dizem amar até morrer, outros buscam a alegria ou habituam-se a infernizar outros. Outros choram lágrimas de alegria e tristeza, porque sentem. Não sentem nada, sentem tudo. Ainda restam aqueles que partilham as suas vidas com pessoas com quem deveras amam. Eu não fico felizes por eles, porque não sinto, apenas vivo.
Olho, escuto, falo quando necessário, brinco para enganar o tempo, rio para iludir o coração, aquele "comboio de corda". E por vezes cheiro flores de jasmim e alfazema que cobrem o jardim e continuo a fingir que nada sinto.
Dou um passo em frente a seguir de outro, passo por entre toda aquela multidão sem se aperceberem e choro, rio, falo. Mas ninguém me escuta, recusam-no.
Pois dizem que apenas vejo maldade. Eu apenas vejo o que os meus olhos me mostram, digo.
Eu não sinto, não escuto, não falo por vezes com medo de magoar alguém, de errar e de não conseguir sobreviver outra vez.
Por isso falo, escuto e olho tudo o que me abraça.



publicado por joao às 19:01 | link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

Domingo, 16.10.11
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O tempo, a idade e os anos são inimigos do ser humano. E a eternidade poderá se tornar, para alguns numa maldição. A casa onde crescemos, onde brincamos e sorrimos desaparecerá. A madeira ficará podre, os vidros partidos, as paredes caíram um dia. O baloiço onde costumavas brincar cairá ao chão. Aquela árvore que trepavas e te sentavas num dos seus grossos troncos ficará velha. As pessoas que costumavas desejar um "Bom dia!" logo pela manhã, ao sair de casa para a paragem de autocarro, desapareceram também. Todo aquele verde, todos os campos que conheceste e apreciaste em criança seram entregues às silvas e à natureza. As pessoas que viveram nessa casa, as mesmas que prometeste proteger, mesmo da morte, um dia partirão. A rua onde cresces-te e tornas-te Homem ficará silenciosa com o passar dos anos. Tudo o que conheceste em miúdo desaparecerá, apenas restaram as saudades, as memórias vividas e as recordações dos momentos inesquecíveis. Como se tudo nada tivesse passado de um sonho perfeito.  

 




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Sexta-feira, 11.03.11
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Num dia acordei e reparei que a minha cidade estava em ruínas, não restava nada, apenas pó e lixo. E o autor de tudo aquilo tinha sido eu. Todos tinham passado por lá, todos já tinham reparado que tudo estava em ruínas, como tudo já tinha se transformado, mas eu não.

Eu ainda observava as árvores com folhas, passava horas a observar como a água corria no rio, ainda via casas com telhados, ainda recordava como as crianças brincavam nas ruas.

Mas tudo não tinha passado se um simples sonho. De uma ilusão. Uma mentira manipulada, por mim. Porque não queria ver a verdade, porque já não tinha forças para lutar mais, porque não aguentava a realidade e não era capaz de ver para além da ilusão.

Mas nessa mesma manhã, tudo mudou, acordei numa cidade fantasma, onde só se conseguia ver a destruição, onde só se ouvia o silêncio e onde reinava a raiva, a dor, a fúria e o medo.

Foi então que decidi levantar a cabeça, e olhar o céu. O sol a sorrir para mim e a lua? Essa apoiava-me e inspirava-me, enquanto que as estrelas me indicavam o caminho certo.

 



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